sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

eu queria brincar.

Hoje, assim sem saber porque, lembrei disso. Quando era criança, ali pelos 11 anos, vivia numa cidadezinha do interior e fui trabalhar numa loja de calçados. Não me lembro mais, mas devo ter ido muito contra-gosto. Um dia, vi meu irmão mais velho conversando com alguém na calçada bem em frente a loja que eu trabalhava. Eu procurei um lugar no campo de visão dele e comecei a esfregar uma flanela no balcão, fazendo uma cara triste, meio de choro. Fiquei ali um tempão fazendo aquilo e observando disfarçadamente de rabo de olho para ver se meu irmão estava me olhando. Eu queria mostrar pra ele como eu estava contrariado de estar ali trabalhando. Queria que ele contasse para meus Pais o que ele estava vendo. Eu queria dizer que eu queria brincar.

2 comentários:

Anônimo disse...

Fazemos isso a todo momento . Seja para brincar ou para ser levado a serio . As vezes esperamos a boa vontade do outro para que tenhamos a deixa para realizar o que poderiamos fazer ( ou ao menos tentar ) aquilo que queremos . Queremos a deixa para poder expor o que sentimos . Me incluo nesse " nós " . Quantas coisas dependem de mim e ainda assim eu procuro uma " deixa " .

Anônimo disse...

Às vezes lembro das coisas que pensava quando era criança. Pensava quem poderíamos morar numa vila onde todos se conheciam e se amavam. Se conheciam e se amavam. Eram públicas nossas qualidades e nossos defeitos. Nos conhecíamos e nos amávamos.
Lembro das coisas boas que me aconteceram e das enrascadas que me meti.
Acho interessante como à transição de etapas da vida nos mostra coisas novas que antes não víamos.
Eu não era muito de me preocupar com certas coisas. Não é que eu não me preocupara de propósito. Simplesmente não me “atentava” para isso. Não me preocupava em ter tanto dinheiro quando a menina da minha sala que tinha sempre um monte de canetas novas.
Não me preocupava em ter o cabelo liso da minha prima.
Não me preocupava em ter a mesma idade de uma outra prima, que podia fazer coisas que eu não fazia. Não fazia também por que se quisesse talvez não podudesse, mas o fato é que tais coisas não me faziam falta. Estava muito ocupada em brincar, rir ate doer à barriga, brigar com meu irmão mais novo e me esconder da minha mãe no mato... só para ela acreditar que eu tinha poderes.
Eu vivia o que eu era.
Não digo para alguém: Ah, fui mais ou fui menos feliz que você. Não sei se a receita (alias não tem receita... só aconteceu) funcionaria para todos. Aconteceu assim comigo e me sinto presenteada de uma maravilhosa graça.
Não lembro de me dizerem: Nossa você é tão adulta. Nem parece ter 11 anos.
Ou: Nossa, você é tão infantil, nem parece ter 15 anos.
Eu era feliz. Eu sabia disso na época e agora sei mais ainda. Vez ou outra chegava do colégio e dizia : Mãe o dia hoje foi tão legal... Fiz isso isso e isso.
Vivi assim de modo não proposital, ate por que na época não poderia traçar o modo que ia querer viver. Também não pensava nisso.
Hoje as coisas que eu vivo são muito intensas. Muita coisa me surpreende .
Sempre acontece algo novo pra mim e acho que isso acontece por que nunca convivi intensamanete com nada. Não que não tenha vivido coisas fortes e marcantes, mas vivi cada fase sem puxar cenas de fases futuras.
Minha mãe diz um ditado: Quem nunca comeu melado quando come se lambuza.
Acho que comi um pouco de muitas coisas mas o suficientemente adequado a aquela fase e outras coisas ainda não comi . Deve ser por isso que hoje ando por ai sempre toda lambuzada.